Olimpíada de Filosofia do RS cresce e se solidifica




A segunda edição da Olimpíada de Filosofia do Rio Grande do Sul mostrou que algo a princípio somente teórico tem grande vigor na prática. A quem imagina que filosofia se faz de maneira inerte, mais de 200 estudantes, acompanhados de cerca de 40 professores, demonstraram que a filosofia se solidifica no exercício vivo sobre os temas que propõe. A II Olimpíada de Filosofia do Rio Grande do Sul, ocorrida na PUC-RS, em Porto Alegre, sábado, 24 de outubro de 2009, provocou os participantes a se expressarem e debaterem sob o tema “A humanidade tem fome de quê? O que de fato precisamos para viver...?





O assunto foi acolhido por 17 instituições de ensino de todo o Rio Grande do Sul, sendo cinco universidades, sete escolas públicas (quatro de ensino fundamental e três de ensino médio), e cinco escolas privadas (duas com a participação de ensino fundamental e médio), contando ainda com a participação de estudantes do Uruguai. Do começo do ano até a data das Olimpíadas, cada instituição trabalhou livremente o assunto, na etapa denominada atividade pré-olímpica. Durante esta etapa, cada região do estado também poderia promover uma pré-olimpíada, como foi o caso de Frederico Westphalen, onde mais de cem pessoas participaram do evento organizado pela URI.


A fome de estudantes da educação básica ao terceiro ano do ensino médio, e inclusive de professores, se transformou em diversas manifestações artísticas e acirrados debates, culminando em um texto individual, publicado no sítio das olimpíadas na internet. Teatro (link para vídeo P1060368), música ao vivo (link para vídeo P1060407), uma série de vídeos e apresentação de cartazes pela parte da manhã deram ainda mais subsídios para as comunidades de investigação pela parte da tarde. Divididos por faixa etária, depois do almoço, os estudantes debateram os assuntos em grupos de no máximo vinte jovens.



(Grupo 5 de maio)




A apresentação de trabalhos foi tão variada quanto as afirmações dos participantes. Para Paúma Gonçalves e Gabrielle Fraga, alunas do ensino fundamental, a sociedade se dissipou dos seus principais valores, e o que o ser humano precisa de fato para viver é de cultura, de amizade, e de intelecto. Segundo o professor Osmar Schneider, a humanidade tem fome de heróis, que sejam muito mais sábios do que fortes. Temas como educação, comprometimento, respeito, conhecimento, justiça, sabedoria, e saúde, entre outros, foram bastante citados pelos representantes das escolas.






Alguns dos mais marcantes, contudo, foram os que falaram da necessidade da simplicidade e do enfrentamento à mídia. Os primeiros afirmaram que a humanidade precisa de menos bens materiais, pois quando mudamos nosso comportamento, o mundo muda conosco, nas pequenas coisas. Em relação aos meios de comunicação, os estudantes lembraram que a mídia trata o homem como um bem de consumo, e uma necessidade seria estar atento a isso.






Brindados por uma apresentação de rap (link para vídeo P1060403) de uma turma da quinta série do ensino fundamental, e de uma apresentação da Alegoria da Caverna de Platão interpretada por jovens surdos na Língua Brasileira de Sinais - Libras, estudantes, professores e organizadores da Olimpíada de Filosofia salientaram a importância do evento. O diretor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da PUC-RS, professor Luciano de Jesus, destacou o prestígio que a Olimpíada já havia consolidado dentro da universidade, e reforçou a importância da integração latino-americana, com a presença uruguaia no encontro.





Sérgio Sardi, professor do departamento de filosofia da PUC, e idealizador do evento, salientou que cada um ali presente tinha uma vitória: sobre si mesmo, ao reconhecer os limites do que sabe e ir atrás do que ainda não sabe. Pensando em novos limites a serem atingidos, os participantes se despediram da II Olimpíada, aguardando o tema da terceira, a ser realizada em 2010.